É confraternização anual com colegas de trabalho e a maioria demonstra uma animação admirável. Ela chega sozinha e logo procura seus próximos. Nada mudou. A mesa, a conversa, o incômodo… Afinal, o que fazer em um lugar onde um a mais ou a menos parece não fazer diferença?
Na verdade não é bem assim. Pose para foto. Talvez ela não admita mas, durante a foto, seu foco não é um objeto e sim uma pessoa. Mesmo assim, não parece haver reciprocidade.
Pouco depois alguém se aproxima, a sustenta pelas mãos e em um abraço ela vê seu tempo parar. Ter sua voz tão próxima aos ouvidos é agradável. Ele parece não ter mudado muito. Ainda segura suas mãos com cuidado ensaiando carinhos, consultando-a com os olhos.
Para ela, lembrar que é seu último ano é desconfortável… Melhor não precipitar-me, pensa.
Final do dia. A festa acaba, os dois se despedem. O abraço, o cuidado, o perfume e a frase dita por ele naquele momento ainda ecoam por sua cabeça. Mas talvez seja tarde.